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Partículas ultrafinas da poluição podem representar ameaça ainda maior para pessoas com doenças cardíacas

Um estudo publicado na revista científica Heart reforça as evidências de que partículas ultrafinas presentes na poluição atmosférica podem representar um risco especialmente elevado para pessoas com doenças cardiovasculares e outros grupos vulneráveis. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram dados de pacientes com doenças valvares cardíacas e estimativas de exposição ao material particulado fino (PM2.5), observando que indivíduos expostos a níveis mais elevados de poluição apresentavam pior prognóstico do que aqueles expostos a níveis mais baixos. Os resultados se somam a evidências anteriores de que essas partículas podem contribuir para inflamações, danos vasculares e aumento do risco de problemas cardíacos.

As chamadas partículas ultrafinas possuem menos de 100 nanômetros de diâmetro, milhares de vezes menores que a espessura de um fio de cabelo. Por causa desse tamanho reduzido, conseguem penetrar profundamente nos pulmões e, em alguns casos, alcançar a corrente sanguínea, interagindo diretamente com diferentes órgãos e tecidos do corpo.

Comparação de tamanho de materiais particulados (PM). Adaptado de EPA.

Segundo os pesquisadores, essas partículas são produzidas principalmente por processos de combustão, incluindo emissões de veículos, usinas termoelétricas, queimadas, queima de madeira e combustíveis fósseis. Diferentemente de partículas maiores, elas possuem uma área superficial proporcionalmente muito grande, permitindo o transporte de compostos químicos potencialmente tóxicos para dentro do organismo.

As evidências acumuladas indicam que a exposição a essas partículas pode favorecer processos de inflamação sistêmica, endurecimento das artérias, disfunções vasculares e alterações no funcionamento cardiovascular. Estudos anteriores também associaram partículas ultrafinas ao aumento do risco de infartos, hipertensão e outras doenças cardiovasculares.

Uma preocupação dos cientistas é que, apesar dos potenciais impactos à saúde, as partículas ultrafinas ainda são pouco monitoradas em muitos países e geralmente não recebem o mesmo nível de regulamentação aplicado a poluentes mais conhecidos, como o material particulado PM2.5. Isso dificulta a avaliação precisa da exposição da população e dos efeitos de longo prazo sobre a saúde pública.

Os pesquisadores destacam que determinados grupos parecem ser mais suscetíveis aos efeitos dessas partículas, incluindo idosos, pessoas com doenças cardíacas pré-existentes e populações historicamente mais expostas à poluição atmosférica. Com o crescimento urbano e a permanência de fontes emissoras, compreender melhor os mecanismos biológicos envolvidos tornou-se uma prioridade para futuras pesquisas e para a formulação de políticas de qualidade do ar.

Embora o estudo não tenha investigado formas de mitigação, pesquisas mostram que tecnologias de controle de emissões, como precipitadores eletrostáticos, filtros industriais e lavadores de gases, podem reduzir significativamente a liberação de material particulado na atmosfera. Estudos também indicam que a adoção de fontes de energia mais limpas pode contribuir para a redução das concentrações desses poluentes no ar. No entanto, implementar essas soluções em larga escala exige investimento, fiscalização e atualização de sistemas antigos. Afinal, a dificuldade muitas vezes não está na tecnologia, mas em criar as condições políticas, econômicas e sociais necessárias para colocá-la em prática.

Fontes

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