Esgotos das cidades podem contribuir mais para o aquecimento global do que se pensava
Em um estudo publicado na revista Nature Water, pesquisadores revelaram que as redes de esgoto do mundo inteiro podem emitir entre 1,18 e 1,95 milhão de toneladas de metano por ano, um gás de efeito estufa cerca de 28 vezes mais potente que o dióxido de carbono ao longo de 100 anos. Segundo os pesquisadores, essas emissões podem aumentar em até 3,3% a estimativa atual de emissões do setor de resíduos e elevar entre 16% e 38% a pegada de carbono atribuída ao tratamento de águas residuais.
O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade da Cidade de Hong Kong em colaboração com cientistas da Austrália, China, Bélgica e Estados Unidos. Durante cerca de 20 anos, a equipe desenvolveu e aperfeiçoou o modelo computacional SeweX, capaz de simular os processos físicos, químicos e biológicos que ocorrem dentro das tubulações de esgoto. Em seguida, calibraram esse modelo com medições reais obtidas por sensores instalados em redes de esgoto e testaram aproximadamente 3 mil cenários diferentes de operação. Por fim, eles validaram o método utilizando dados de 21 cidades na Austrália, nos EUA, na China e na Bélgica.
Os resultados mostraram que a produção de metano depende principalmente da área da tubulação que permanece molhada, e não apenas da quantidade de esgoto transportada, como muitos imaginavam. Com base nisso, os pesquisadores criaram uma ferramenta simples que permite estimar as emissões usando informações como diâmetro da tubulação, inclinação, vazão e temperatura do esgoto.
Até agora, inventários internacionais de gases de efeito estufa, incluindo metodologias utilizadas pelo Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas, geralmente consideravam que as emissões de metano provenientes das redes urbanas de esgoto eram desprezíveis ou iguais a zero. O novo estudo sugere que essa suposição pode precisar ser revisada, especialmente à medida que as cidades continuam crescendo e expandindo suas redes de saneamento.
Os pesquisadores destacam que reconhecer essa fonte de emissões pode ajudar governos a elaborar inventários climáticos mais precisos e identificar novas estratégias para reduzir o aquecimento global.
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Fontes
SHARMA, K. et al. Estimating methane emissions from global sewer networks. Nature Water, v. 4, p. 196–205, 2026. DOI: 10.1038/s44221-025-00574-w. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s44221-025-00574-w. Acesso em: 7 jul. 2026.
Universidade da Cidade de Hong Kong. Sewers have been hiding a climate problem in plain sight, and this new tool finally exposes its true scale. Phys.org, 27 abr. 2026. Disponível em: https://phys.org/news/2026-04-sewers-climate-problem-plain-sight.html. Acesso em: 7 jul. 2026.
