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Riqueza em recursos naturais pode prejudicar economias e instituições, mostra estudo

A ideia intuitiva de que países ricos em recursos naturais tendem automaticamente à prosperidade é desafiada por um novo estudo liderado pela Universidade de Princeton, que investiga o chamado “paradoxo da abundância”, ou “maldição dos recursos naturais”. Publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, a pesquisa mostra que riqueza em recursos como petróleo, madeira ou minerais pode, em certas condições, enfraquecer instituições públicas e comprometer o desenvolvimento econômico de longo prazo.

O estudo se baseia em um modelo de sistemas dinâmicos que integra diferentes teorias sobre como a exploração de recursos naturais afeta economias e instituições e incorpora fatores como capital humano, capital social e força institucional, permitindo simular como economias podem evoluir para trajetórias distintas, como desenvolvimento diversificado ou dependência extrativista.

O fenômeno ocorre porque receitas provenientes da exploração de recursos naturais frequentemente reduzem a dependência do Estado em relação à arrecadação de impostos. Isso diminui a pressão da população por transparência e prestação de contas, criando um ambiente propício à deterioração institucional. Segundo os pesquisadores, esse processo pode gerar um ciclo vicioso: instituições mais frágeis levam a uma gestão menos eficiente da riqueza, o que, por sua vez, reforça a dependência de atividades extrativistas e aprofunda ainda mais o problema.

O estudo também aponta que economias inicialmente diversificadas podem cair nessa armadilha após choques externos, como a queda nos preços de commodities. Uma vez estabelecida, a dependência de recursos naturais tende a ser difícil de reverter, pois a falta de investimento em capital humano, infraestrutura e outros setores produtivos limita a capacidade de diversificação econômica.

Outro ponto central da pesquisa é o papel das instituições como canal de transformação da riqueza natural em bem-estar social. Quando esse canal apresenta falhas (por exemplo, devido à corrupção ou à baixa capacidade estatal), parte significativa dos recursos se perde, impedindo investimentos em áreas essenciais como educação e serviços públicos. Isso ajuda a explicar por que países ricos em recursos naturais frequentemente apresentam desempenho inferior ao de nações com menos riqueza natural, mas com instituições mais sólidas, um contraste observado, por exemplo, entre casos como o da República Democrática do Congo e o da Noruega. No primeiro caso, a economia é altamente dependente da exploração de recursos naturais e pouco diversificada, o que aumenta a vulnerabilidade a crises e reforça o risco da “maldição dos recursos naturais”. Já no segundo, embora também haja abundância de recursos, especialmente petróleo, a dependência é menor em termos proporcionais e a economia apresenta maior diversificação, sustentada por instituições mais robustas.

Como caminho para evitar esse cenário, os autores do estudo destacam a importância de instituições fortes e de níveis elevados de capital humano e social, além de investimentos em educação, infraestrutura e diversificação econômica. Direcionar as receitas de recursos naturais para essas áreas é essencial para transformar a abundância em desenvolvimento sustentável, especialmente em um contexto de transição energética global.

Fontes

CLASE, C. The “resource curse”: Why natural resource abundance can be a double-edged sword. Phys.org, 23 abr. 2026. Disponível em: https://phys.org/news/2026-04-resource-curse-natural-abundance-edged.html. Acesso em: 23 abr. 2026.

MOLLA, N. et al. Institutional dynamics produce resource curse traps. Proceedings of the National Academy of Sciences, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1073/pnas.2520474123. Acesso em: 23 abr. 2026.

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