Cientistas provocam 8.000 microterremotos sob os Alpes suíços para entender como grandes terremotos começam
Pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, e da Universidade Técnica de Aachen, na Alemanha, provocaram 8.000 microterremotos em um experimento que pode ajudar a entender como grandes terremotos começam. O projeto busca observar, em tempo real, o comportamento de falhas geológicas antes, durante e depois de pequenos abalos sísmicos induzidos artificialmente.
O experimento ocorreu a cerca de 1,5 quilômetro abaixo da superfície, em uma extensa galeria subterrânea conectada ao túnel ferroviário de Furka, nos Alpes suíços. No laboratório subterrâneo BedrettoLab, os pesquisadores injetaram água sob alta pressão em fraturas naturais das rochas para alterar as tensões presentes nas falhas geológicas e provocar pequenos deslizamentos entre blocos de rocha, liberando energia na forma de microterremotos.
Segundo os pesquisadores, o objetivo não é produzir terremotos destrutivos, mas compreender os mecanismos físicos que levam algumas falhas a liberar apenas pequenos tremores enquanto outras acabam gerando terremotos devastadores. Atualmente, a sismologia ainda possui dificuldades para identificar sinais confiáveis que indiquem quando uma falha está prestes a romper de maneira significativa.
O projeto, chamado FEAR (Fault Activation and Earthquake Rupture; “Ativação de Falhas e Ruptura Sísmica”, em tradução livre), utiliza milhares de sensores instalados diretamente nas rochas para monitorar deformações, vibrações e mudanças físicas no interior da montanha. Isso permite acompanhar detalhes microscópicos do processo sísmico com uma precisão difícil de alcançar em terremotos naturais, que normalmente só podem ser estudados depois que já aconteceram.

Os pesquisadores também pretendem investigar como fatores como temperatura, pressão e circulação de fluidos subterrâneos influenciam a estabilidade das falhas geológicas. A expectativa é que os dados ajudem a aprimorar modelos de previsão sísmica e a reduzir riscos associados tanto a terremotos naturais quanto a tremores induzidos por atividades humanas, como perfuração geotérmica, mineração e injeção de fluidos no subsolo.
Embora ainda estejamos longe de prever terremotos com precisão, os cientistas acreditam que entender melhor os sinais iniciais de ruptura pode representar um avanço importante para futuros sistemas de monitoramento e alerta sísmico.
Fontes
LARSON, Nina. Deep beneath Swiss Alps, researchers trigger 8,000 tiny quakes in controlled test. Phys.org, 11 maio 2026. Disponível em: https://phys.org/news/2026-05-deep-beneath-swiss-alps-trigger.html. Acesso em: 11 maio 2026.
KEYSTONE-SDA. Researchers successfully trigger ‘controlled earthquake’ in southern Switzerland. Swissinfo, 29 abr. 2026. Disponível em: https://www.swissinfo.ch/eng/research-frontiers/researchers-successfully-trigger-controlled-earthquake-in-southern-switzerland/91334582. Acesso em: 11 maio 2026.
