Humanos, enganados que não se recuperam do engano
Uma das tragédias silenciosas da condição humana não é o erro em si, mas a fidelidade que passamos a nutrir por ele. Errar é humano; persistir no erro, quando ele já se revelou como tal, é algo mais profundo, quase estrutural. Carl Sagan, em O mundo assombrado pelos demônios (2019), especificamente no capítulo “Obcecado pela realidade”, formulou essa ideia com brutal honestidade: depois que uma pessoa entrega poder sobre si a um charlatão – seja ele um líder, uma ideia ou uma narrativa que promete certezas fáceis –, ela quase nunca o recupera; não por falta de evidências, mas porque admitir o engano cobra um preço emocional alto demais.
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