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Faíscas de alta energia surgem como nova estratégia para remover poluentes da água

Pesquisadores da FAPESP desenvolveram uma técnica inovadora que utiliza faíscas de alta energia para degradar contaminantes farmacêuticos na água, oferecendo uma alternativa promissora aos métodos tradicionais de tratamento. A abordagem foi descrita em estudo publicado no periódico Chemical Engineering Journal.

A técnica se baseia na chamada oxidação eletrolítica por plasma (PEO), um processo no qual altas tensões elétricas aplicadas a um metal imerso em líquido geram microdescargas, pequenas faíscas extremamente energéticas, capazes de atingir temperaturas e condições reativas intensas em escalas microscópicas.

Tradicionalmente empregada para formar revestimentos protetores em metais como o alumínio, a PEO foi reinterpretada pelos pesquisadores: em vez de focar no material produzido, o estudo explora diretamente as faíscas geradas durante o processo como agente de degradação de poluentes.

Nos experimentos, a técnica foi aplicada a três compostos farmacêuticos comuns (ofloxacino, diclofenaco e fluoxetina), tanto isoladamente quanto em mistura. Os resultados indicaram alta eficiência de degradação, com destaque para a fluoxetina, cuja remoção ultrapassou 90% em determinadas condições.

Um dos principais avanços está no fato de que o método promove a chamada mineralização completa dos contaminantes, convertendo as moléculas orgânicas diretamente em dióxido de carbono, sem gerar subprodutos intermediários potencialmente tóxicos, um problema recorrente em técnicas convencionais.

Além disso, o processo dispensa o uso de agentes oxidantes adicionais, utilizando apenas o plasma formado na superfície do eletrodo de alumínio, o que o torna mais simples e alinhado a princípios de química verde.

A persistência de fármacos no ambiente é uma preocupação crescente, já que essas substâncias são projetadas para serem estáveis e podem resistir aos sistemas tradicionais de tratamento de água, acumulando-se em ecossistemas aquáticos e contribuindo, por exemplo, para a resistência bacteriana.

Embora ainda em estágio experimental, a nova abordagem sugere um caminho promissor para tecnologias mais eficientes e sustentáveis no tratamento de águas contaminadas, especialmente diante do aumento global da poluição por compostos emergentes.


Fontes

FAPESP. Using high-energy sparks to degrade pollutants without generating harmful byproducts. Phys.org, 26 fev. 2026. Disponível em: https://phys.org/news/2026-02-high-energy-degrade-pollutants-generating.html. Acesso em: 29 mar. 2026.

ARAÚJO, K. C. de et al. An innovative method for environmental remediation using sparks formed during plasma electrolytic oxidation on aluminum foils. Chemical Engineering Journal, v. 526, 171016, 2025. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1385894725118627. Acesso em: 29 mar. 2026.

Imagem de capa: A pesquisa teve como objetivo desenvolver um método mais eficiente para eliminar contaminantes farmacêuticos, uma das principais preocupações de cientistas e autoridades públicas atualmente. Crédito: Kelvin C. de Araújo et al et al./Chemical Engineering Journal

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