Humanos do Paleolítico desenvolveram sistema simbólico complexo 40 mil anos antes da protoescrita mesopotâmica
Um novo estudo sugere que, muito antes do surgimento da escrita formal na antiga Mesopotâmia, nossos ancestrais já desenvolviam sistemas simbólicos sofisticados que podem ter sido precursores da escrita. No estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, foram analisados mais de 3 000 sinais gravados em cerca de 260 artefatos do Paleolítico (entre 34.000 e 45.000 anos atrás) encontrados na região da Swabian Jura, no sudoeste da Alemanha.
Os pesquisadores, liderados pelo linguista Christian Bentz (Universidade de Saarland) e pela arqueóloga Ewa Dutkiewicz (Museum für Vor- und Frühgeschichte, Berlim), aplicaram métodos computacionais para investigar a complexidade e a “densidade de informação” desses sinais, que incluem linhas, pontos, cruces e outros padrões repetidos. Surpreendentemente, os resultados mostraram que essas sequências têm propriedades estatísticas comparáveis às dos primeiros sistemas de escrita proto-cuneiformes da Mesopotâmia, surgidos cerca de 40.000 anos depois.

Apesar de ainda não ser possível decifrar o significado exato dessas marcas, os dados indicam que humanos do Paleolítico não apenas ornaram objetos, mas possivelmente codificavam informações de forma intencional. Isso amplia a visão sobre quando e como estruturas simbólicas complexas emergiram no comportamento humano, colocando as origens da escrita, ou ao menos de sistemas simbólicos altamente organizados, muito mais cedo na história da humanidade do que se acreditava.
Fontes:
Saarland University. 40 000-year-old Stone Age symbols may have paved the way for writing, long before Mesopotamia. Phys.org, 23 fev. 2026. Disponível em: https://phys.org/news/2026-02-year-stone-age-paved-mesopotamia.html. Acesso em: 26 fev. 2026.
BENTZ, C. ; DUTKIEWICZ. Humans 40 000 y ago developed a system of conventional signs. Proceedings of the National Academy of Sciences, 2026. DOI: 10.1073/pnas.2520385123. Disponível em: https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2520385123. Acesso em 26 fev. 2026.
