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Nanopartículas transformam luz infravermelha em sinal para diferenciar moléculas

Pesquisadores desenvolveram um novo tipo de nanopartícula de conversão ascendente capaz de produzir uma emissão luminosa muito mais intensa e, em uma prova de conceito, diferenciar moléculas estruturalmente semelhantes. O estudo, liderado por Jiaze Wu, da Universidade de Toronto, foi publicado no Journal of the American Chemical Society e descreve uma arquitetura capaz de converter luz infravermelha em uma emissão verde intensa.

A técnica utiliza íons de itérbio e érbio para realizar a conversão ascendente: a nanopartícula absorve fótons de menor energia e reemite fótons de maior energia. A diferença entre a luz usada para excitar o material e a luz emitida também ajuda a reduzir o sinal de fundo da amostra, o que pode facilitar a detecção de pequenas quantidades de uma substância.

Uma nova arquitetura

O problema das nanopartículas convencionais é que aumentar a quantidade de itérbio, responsável por intermediar a transferência de energia, também pode aumentar perdas de energia. O novo trabalho contornou essa limitação combinando uma nova matriz de fluoreto de lítio e lutécio (LiLuF₄) com uma estrutura formada por núcleo e duas camadas externas. O núcleo pode conter 98% de itérbio e 2% de érbio, enquanto as camadas foram projetadas para direcionar a energia para o interior da partícula e reduzir sua dissipação.

Para chegar a essa configuração, os pesquisadores combinaram experimentos com simulações de Monte Carlo e teoria do funcional da densidade (DFT). As simulações permitiram testar diferentes composições e geometrias antes da fabricação das nanopartículas, ajudando a identificar uma configuração na qual a energia pudesse ser direcionada de maneira mais eficiente.

O resultado foi uma emissão de luz verde mais de 150 vezes mais intensa que a obtida pelas nanopartículas sensibilizadas por corante com núcleo de baixa concentração de itérbio usadas como comparação no estudo. Na demonstração experimental, os pesquisadores também conseguiram distinguir os isômeros orto, meta e para do ácido mercaptobenzoico em concentração de 1 μg/mL. Esses compostos possuem os mesmos átomos, mas organizados de maneiras diferentes.

Essa característica pode ser útil, por exemplo, na identificação de impurezas químicas. Os autores apontam aplicações potenciais na fabricação de medicamentos e na detecção de traços de poluentes. Uma das possibilidades seria utilizar a resposta luminosa das nanopartículas para identificar compostos específicos sem depender exclusivamente de técnicas analíticas mais caras.

A tecnologia ainda está em fase de prova de conceito e os pesquisadores apontam que o próximo passo é desenvolver métodos para produzir as nanopartículas em escala. Portanto, os resultados demonstram uma nova estratégia para controlar a transferência de energia em nanomateriais, mas ainda não mostram que a técnica esteja pronta para substituir métodos de análise usados na indústria ou no monitoramento ambiental.

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Referências

WU, Jiaze et al. Breaking the sensitization-passivation trade-off in dye-sensitized upconversion nanoparticles through LiLuF₄-enabled directional energy transfer. Journal of the American Chemical Society, v. 148, n. 35, p. 37789–37798, 2026. DOI: 10.1021/jacs.6c07018. Disponível em: https://pubs.acs.org/jacsat/article-abstract/148/35/37789/5337495/Breaking-the-Sensitization-Passivation-Trade-Off. Acesso em: 14 set. 2026.

IRVING, T. New light-emitting nanoparticles can detect subtle chemical differences. Phys.org, 14 set. 2026. Disponível em: https://phys.org/news/2026-09-emitting-nanoparticles-subtle-chemical-differences.html. Acesso em: 14 set. 2026.

Imagem da capa: Quando um laser de infravermelho próximo é direcionado para essas nanopartículas suspensas em um líquido, elas convertem a energia da luz e a reemitem na forma de uma intensa luminescência verde. Crédito: Tyler Irving / University of Toronto Engineering

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