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Pesquisa desafia ideia de ciclos previsíveis em grandes terremotos

Grandes terremotos não seguem ciclos regulares e ocorrem de forma tão aleatória quanto tremores menores, segundo estudo publicado na revista Science Advances. A pesquisa questiona a noção de que longos períodos sem grandes abalos indicariam uma redução temporária do risco sísmico.

O trabalho foi liderado por pesquisadores do Serviço Antártico Britânico, que analisaram sedimentos acumulados no Lago Rara, no Nepal. Esses sedimentos preservam evidências de terremotos com magnitude igual ou superior a 6,5 ocorridos ao longo dos últimos 6 mil anos. Quando um grande terremoto acontece, ele pode provocar deslizamentos subaquáticos que deixam marcas detectáveis nas camadas sedimentares. A equipe utilizou datação por radiocarbono para estimar os intervalos entre esses eventos.

Os resultados mostraram que os intervalos entre grandes terremotos variam de maneira irregular, sem indicar periodicidade estável. Estatisticamente, o comportamento observado é compatível com um processo estocástico, isto é, governado pelo acaso, semelhante ao que já se observa em terremotos menores.

Os pesquisadores compararam os dados do Nepal com registros paleossísmicos de outras regiões tectonicamente ativas, como Chile, Nova Zelândia e Indonésia, e encontraram padrão semelhante. A conclusão reforça que não existe um “relógio sísmico” confiável capaz de prever quando ocorrerá o próximo grande abalo.

Segundo os autores, os resultados têm implicações importantes para políticas de mitigação de risco. A ausência de ciclos previsíveis significa que regiões sísmicas devem manter preparação constante, independentemente do tempo decorrido desde o último grande terremoto.

Fontes

ARNOLD, P. Major earthquakes are just as random as smaller ones. Phys.org, 12 fev. 2026. Disponível em: https://phys.org/news/2026-02-major-earthquakes-random-smaller.html. Acesso em: 13 fev. 2026.

GHAZOUI-SCHAUS, Z. et al. Occurrence of major earthquakes is as stochastic as smaller ones. Science Advances, 13 fev. 2026. DOI: 10.1126/sciadv.adx7747.

Imagem: Comparação do número de eventos (N) em relação ao coeficiente de variação (η) a partir de registros paleossísmicos de todo o mundo. Crédito: Science Advances (2026). DOI: 10.1126/sciadv.adx7747.

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