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Falha no foguete indiano PSLV impede colocação em órbita do UaiSat-1 e de outros 15 satélites

Uma falha no foguete PSLV-C62, da Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO), impediu nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, a colocação em órbita do UaiSat-1, primeiro satélite 100% mineiro, juntamente com outros 15 satélites que integravam a missão. Embora a decolagem tenha ocorrido conforme o planejado, o voo não resultou em uma órbita estável.

O lançamento ocorreu às 1h47 (horário de Brasília) a partir do Centro Espacial Satish Dhawan, em Sriharikota, na Índia. De acordo com informações divulgadas pela ISRO, o foguete operou dentro dos parâmetros esperados até a fase final de queima do terceiro estágio do lançador. O veículo chegou a atingir uma altitude aproximada de 370 quilômetros, mas apresentou anomalias nos parâmetros de trajetória e rotação, o que impediu a inserção orbital adequada da carga útil.

Como consequência, os 16 satélites a bordo não alcançaram a velocidade e o perfil necessários para permanecer em órbita, caracterizando uma falha de inserção orbital, e não um problema de decolagem. A agência espacial indiana informou que os dados da missão estão sendo analisados para a identificação das causas exatas do ocorrido. O episódio representa o segundo insucesso consecutivo do PSLV, lançador historicamente reconhecido por sua elevada confiabilidade em missões de pequeno e médio porte.

Entre os satélites perdidos estava o UaiSat-1, totalmente projetado e construído em Minas Gerais. O nanossatélite foi desenvolvido no Laboratório Integrado de Sistemas Espaciais (LISE), no Campus Alto Paraopeba da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), e pertence à classe dos PocketQubes, com 5 centímetros por lado e cerca de 250 gramas.

O UaiSat-1 integrava uma missão de validação tecnológica e coleta de dados ambientais, com aplicações voltadas à agropecuária e a outros setores produtivos, incluindo o monitoramento de condições do solo, temperatura e umidade, além da observação de fenômenos atmosféricos, como raios e tempestades. O projeto também tinha como objetivo testar sistemas de comunicação e operação em ambiente espacial real.

A equipe do UaiSat-1 incluiu dois professores e quatro discentes do curso de Engenharia de Telecomunicações da UFSJ: Marcos Kakitani e Moacir de Souza, além dos estudantes João Pedro Polito, Hikari Beatriz, Paulo Dutra e Antônio Salvador, que atuaram nas etapas de concepção, desenvolvimento e testes do satélite.

O projeto contou ainda com apoio institucional e tecnológico de parceiros externos, entre eles a empresa Uai Soluções e Integração, incubada no Ouro Hub, do IFMG – Campus Ouro Branco, que participou do desenvolvimento de componentes eletrônicos do satélite e acompanharia a missão a partir do Brasil.

Apesar da perda da carga, especialistas destacam que falhas de inserção orbital fazem parte do desenvolvimento de sistemas espaciais, inclusive em programas consolidados. Em projetos universitários, esses eventos costumam gerar aprendizados técnicos relevantes, contribuindo para o aprimoramento de missões futuras.

Até o momento, a UFSJ não divulgou um posicionamento oficial sobre os próximos passos do programa UaiSat. A expectativa é que, após a conclusão da investigação conduzida pela ISRO, sejam avaliadas possibilidades de continuidade do projeto ou de um eventual revoo.

Embora o lançamento não tenha resultado na colocação do satélite em órbita, o UaiSat-1 permanece como um marco para a ciência mineira e brasileira, ao demonstrar a capacidade de uma universidade pública regional de conceber, desenvolver e integrar um sistema espacial completo, reforçando o papel da pesquisa científica descentralizada no país.

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